quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Saúde, paz e subversão

Queria deixar uma mensagem de ano novo.

Mas, como empacotar um ano inteiro, todinho, em palavras de alegria, paz, prosperidade, amor? Não que eu não queira e nem deseje isso para todos, mas um ano, com tantos dias e horas dentro de si, deve ter um espaço para acolher aqueles outros momentos que, de vez em quando, muito raramente, vivemos como tristeza, saudade, raiva, vontade de sumir (ou de sumir com alguém).

Lembrei da Olgária, Mattos, falando que o tempo, essa imaterialidade, não existe. Pensar na existência do tempo, na virada do ano, só para uma mente que insiste em desviar. Como a Olgária fala uma coisa assim?

Então surge a mensagem!
"Naturalmente subversiva é a ação da Filosofia em transcender a opinião vigente".

Experimente em 2010:
Saúde, Paz e Subversão (com moderação)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Decifra-me ou devoro-te

Decifra-me

ou

Devoro-te?







-Devora-me.... Antes, porém, decifro-te.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Medida de todas as coisas

Esse é o meio de se obter o que acreditamos ser incompatível e o que quase todos os grandes homens reuniram, a força do corpo e a força da alma, a razão de um sábio e o vigor de um atleta.


Quereis, então, cultivar a inteligência de vosso aluno, cultivai as forças que ele deve governar. Exercitai de contínuo vosso corpo; tornai-o robusto e sadio, para torna-lo sábio e razoável; que ele trabalhe, corra, aja e grite, esteja sempre em movimento; que seja homem pelo vigor, e logo o será pela razão.

Como tudo que entra no entendimento humano vem pelos sentidos, a primeira razão do homem é uma razão sensitiva; é ela que serve de base para a razão intelectual; nossos primeiros mestres de filosofia são nossos pés, nossas mãos, nossos olhos.

Para aprender a pensar, devemos portanto exercitar nossos membros, nossos sentidos, nosso órgãos, que são os instrumentos de nossa inteligência; e, para tirar todo o partido possível desses instrumentos, é preciso que o corpo que os abastece seja robusto e são. Assim, longe de a verdadeira razão do homem formar-se inteiramente independentemente do corpo, é a boa conformação do corpo que torna fáceis e seguras as operações do espírito.


Jean-Jacques Rousseau
Emílio ou Da Educação
Pág.137-140




Enfim, a medida de todas as coisas não está tão longe.

Corpo.
Ouvir, sentir, perceber o corpo.
Corpo não mente.

O cérebro, parte hipervalorizada do corpo, mente.
Se ilude. Se confunde. Pensa que é real a imaginação e se enrola.
Ou o contrário.

Meu corpo vive.
Sente.
Quer.
Deseja.
Rejeita.
Ama.

Estando viva no corpo, aprendo.
E vivo.
Intensamente a vida.

Cores

O que espero – espero construindo - são dias tranqüilos
Com turbulência mínima de desastres, de agressões, de violências
E com máxima presença de sentimentos
Todo sentimento é bom – se flui e não prejudica
Sentimento ruim é aquele preso, engasgado, sufocado
E pessoas... elas são sempre o ponto: o encontro! A beleza.

Quero saber falar baixo, ouvir baixo, sonhar alto, retribuir alto.

Quero apenas
De vez em quando
Sentar na pedra
Ouvir o mar
Sentir o pôr-do-sol
Contar as nuvens no céu
Envolver-me com o amarelo, verde e tons de azul.

Com as pessoas, suas cores e sentimentos.



domingo, 6 de dezembro de 2009

Eram os deuses psicólogos?


Finalmente as soluções para essa coisa maluca que é viver.

Sinto,
não sei bem se consciente ou
inconscientemente
que os psicólogos serão nossos deuses.
Acenam-nos com
sorrisos complacentes do tipo "eu sei o que você fez no verão passado" ou "sei o que sente agora, mas não sentirei com você para não nos afogarmos juntos";
com mundos inacessíveis - do inconsciente à primeira mamada ou aquela transa malacabada - sabem, no fundo acessar nosso ego dilacerado;
espelhos para saídas dos labirintos, aquelas encrencas nossas mais íntimas;
com sentimentos oceânicos que nos transportam de gota, de nada, a um oceano todo, tudo.


Como deuses, ficarão distantes do nosso mundinho cotidiano; das nossas mazelas; dessa vidinha humana que levamos.

Esforçar-se-ão (desculpe a construção verbal, deve ser algo inconsciente) para que "funcionemos" bem. Como um relógio, de marca as horas, mas jamais pensará em questionar a existência ou a materialidade do tempo.


Infelizmente, para nós, réles humanos, teremos esses disparates de querer ser o que não somos ou de fazer o que não podemos. Voar, como Ícaro; amar como Sereia; narcisar, como Narciso. Nós, assim, não funcionamos bem.


No fundo, no fundinho mesmo, não batemos bem. Como diz Caetano: de perto ninguém é normal.


Foucault, liberta:
"A máquina funciona. O corpo vive".


Desejo viver bem.
Mesmo que esteja "funcionando mal".



Às favas com os deuses!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Filosofia

Dia 19 de novembro é o Dia da Filosofia.


Aproveite e saia do senso comum!

Entregue-se a uma experiência radical: filosofe.


Crie o mundo.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Jardim de Presente

Um dia chegaram os ramsters.
Entraram dentro da caixa de som.
E se suicidaram em seguida, pela varanda do apê.


Depois, pássaro.
Mas era triste vê-lo ali, na gaiola.
Passarinho, pra mim, tem que voar. Livre.
Uma noite ele mesmo abriu a gaiola e voou.
Fiquei feliz demais!

Peixes...
Devolvi todos, com o aquário e apetrechos quando soube que crescem conforme o tamanho do aquário.
Que voltassem para o rio ou o mar e crescessem o quanto sua própria natureza permitisse.

Achava que não tinha muito jeito com plantas, flores, bichos. Seres vivos.

Finalmente descobri:
Meu jardim é de pessoas.
Cultivo-as com carinho e dedicação.
Semeio, me dedico. Gosto de cuidá-las.

Há mais de trinta anos.

Uma flor especial, com quase quarenta anos (mas a gente não tem essa idade toda, né Lela?)

Flores novas (Luiz Sérgio, Camile, Sandra, Giuliana, Tati, Pati, Keily, Jairo, Neide, Marcos, Flávio, Cintia, Tigres, Miltinho, Zé, Betinho, Osvaldo, Arnaldo, Prata, Miguelito, Faby, Pá, Carol...)

Florezinhas: Felipe, Paloma, Natália, Natália da Eliana, Otto, Gustavo, Vinícius, Tomás, Maikon...

Rita, Jorge, Edson, Cláudio, Mimi, João, Antonio, Ísis, Eliana, Rê, Garete, Banci, Nira, Priore, Denise, Marly, João, Chico, Mário, Verônica, Vidal, Antonio.
Muitas e amadas.
Vivem no meu jardim.

Não tenho redomas como as do Pequeno Princípe: todas são únicas e plenas. Livres.

O meu presente é um jardim de flores feitas de coração.

Tolerância

Dia 16/11 é o Dia Internacional da Tolerância.

Mas há muitos modos de dizer tolerância:

Tolerância pode ser aguentar até não poder mais.
Pode ser fingir que aguenta e devolve na mesma moeda.

Tolerância pode ser insensibilidade.
Tolero, por que não sinto em mim.

Tolerância pode ser uma acomodação lenta.
Sempre foi assim, pra que mudar?

Tolerância pode ser suportar.
Carregar o fardo que a vida lhe reservou, resignadamente.

Tolerância dita assim pode ser morte compassada.
Vagarosa.

Dia Internacional da Tolerância
Dita amor, compaixão,
transgressão espontânea em favor do outro
compreensão profunda da igualdade entre nós.


Dita assim, tolerância é vida.
Digo assim, então.
Sonho assim, contigo.

Aproveite e visite: Rumo à Tolerância

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Falência

Aqui,

o último que sair nem precisa apagar a luz.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Saudade de Leila

Tenho saudade de Leila Diniz.

Tenho saudade
de sua barriga
grávida no mar
de sua alegria

Tenho saudade de encontrá-la em outras mulheres.

Saudade de ser como ela.

Curta, garoto!










Saia curta não é sem-vergonhice.
Saia curta é liberdade.
É
atitude.É Beatles, Bob Dylan, Doces Bárbaros.




Que juventude é essa?
Todos correm para buscar sutiãs que estavam na fogueira?
Desenterram cintos de castidadae?
Apredejam coxas de fora?

Bem, minha vó diria: "mulher que sai assim na rua, é uma vagabunda mesmo".
Minha avó!

(Quem contratará como profissonais pessoas tão reacionárias, preconceituosas?)

Quantas celebridades são flagradas sem calcinha saindo do carro e a Geisa não pode ir com uma míni ou microssaia na facu?

Que estarão lendo esses jovens universitários?
Sartre não deve ser.
Simone de Beauvoir? Duvido.
Saberiam Marx?
Relatório Hite?
O que estarão lendo esses jovens???

No meu tempo, os garotos adoravam quando íamos de mínissaia a qualquer lugar.

Deve ser por essa e outras que o mundo está meio chato, careta, com muita droga.

Viva a mínissaia!
Muito muito curta!
Garoto: curta!!!


Aproveite e leia: Tesão e Direitos Humanos, de Renato Janine

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Amor, sexo e propriedade privada

Num devaneio, associo a crônica "Amor e Sexo", do Arnaldo Jabor, a belezura da música da Rita Lee e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Onde vejo o ponto comum?

Na possibilidade da legitimação da propriedade privada.

Como podemos justificar, na
Declaração Universal dos Direitos Humanos, a propriedade privada (Art. XVII)? Se fossem direitos civis, ainda vá lá. Ainda sim teríamos pano pra manga: como é o processo de apropriação? É meu por que assim o digo, ou digo assim por que é meu? Então, como se fosse natural, por que se é humano, pode ser natural, transmite-se bens de pais para filhos, em longos inventários. Proprietários, uma vez, sempre proprietários. Essa sim a verdadeira herança de sangue. Como coloca Rousseau, a sociedade civil nasce, dentre outros concursos fortuitos, no momento em que um de nós determina: Isto é meu. Insensivelmente meu. Se você não tem um pedaço de alguma coisa pra chamar de seu, ou a culpa é sua, ou o problema não é meu.

Daí para a crônica do Jabor, é um pulinho. A propriedade privada, já legitimada pela Declaração e pela civilização, passa a valer para nossos corpos. Quando digo “nossos corpos”, recorto os nossos mesmo: o corpo das mulheres. Corpos cheios de donos. Obsessivamente controlados em seus pesos e medidas, seus passos, seus padrões e castidades. Inventa-se a cama de casal. Espera-se juntar, enfim, amor e sexo. E propriedade. Propriedade agora que pretende invadir nossa imaginação. (Que mais faz a Igreja senão lutar desesperadamente para controlar o voo livre da nossa irreverente imaginação?)

Aparece então a
Rita Lee, maluca beleza, e escancara nessa música nosso estica-e-puxa entre amor, sexo e propriedade. Joga na cara. Pelos ouvidos.

E a música, a crônica, a reflexão, o amor, o sexo, são todos muito bons.
Excitantes.
Já pensou então sem a propriedade privada?
Com a imaginação solta pela relva?
Ouve!
E imagina.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Fracos heróis

Triste do país que precisa de heróis.
A frase, que não é minha, mas de Bertold Brecht, escancara-nos.

Nós,
povo brasileiro,
ainda precisamos de bolsa-família
bolsa-leite,
programas de aceleração,
de bússola, de alguém, enfim, que seja nosso norte.
Nosso herói.
Precisamos de heróis.

Precisamos de olimpíadas, copa do mundo.
Ainda temos que provar a nós mesmos que o mundo repara em nós.
Ganhamos a Olimpíada.
Ganhamos a Copa do Mundo.
Ganhamos o quê?
Nossos atletas suam mais que podem a camisa.
E choram, no pódio, ao ver a Bandeira do Brasil.
Precisamos de heróis. Olímpicos.


Nosso dinheiro escorre por nossa corrupção.
Não há estrutura capaz de segurar um
apenas um mau-caráter
que sendo segurança rouba uma prova.
Nosso caráter é de herói fraco.

Herói que se vende por 500 mil.
Bolsa pra família.

O Nobel da Paz, realmente nobre.
Valorizou o ganho do espaço da Olimpíada
"Façam, cresçam".

Mas nós estamos ainda parados no vestibular.
Nem conseguimos aplicar nosso Enem.
Que venham as competições.
Para que um dia não precisemos mais de heróis.
Tenhamos, enfim, cidadãos.

Parabéns ao Nobel da Paz.

Homem.
Anti-herói.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A pior religião

Perguntei ao Dalai Lama:
Qual a melhor religião?

Eis a resposta:

A melhor religião
É a que te aproxima de Deus, do Infinito.
É aquela que te faz melhor: mais compassivo, mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável, mais ético.

Acrescento:
Não me interessa a tua religião, ou mesmo se tens ou não religião. O que realmente importa é atua conduta perante teu semelhante, tua família, teu trabalho, tua comunidade, com o mundo".
Leonardo Boff





Eu digo:
A pior religião é aquela que contra a própria etimologia da palavra não une, não religa: separa. Secciona o céu, tomam para si o trabalho de Deus e determinam quais os escolhidos fazendo um apartheid entre irmãos. Gente que não comparece a casamentos de família por que “aquela igreja tem imagens”, separa. Ou que estigmatizam as mães de santo como “mães de encosto”, desune.
Isso é coisa do demônio, palavra que escorrega da boca dos “religiosos” em número maior de vezes do que pisam os olhos. São, com essas palavras e ações, arautos dele. Ou quem sabe da religião dele.

A melhor religião, une.
Nem precisa existir: basta religar homem a si, ao Espírito, ao seu próximo.

Sem frescurada.

Ouvir estrelas


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto ...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

Olavo Bilac


Ouço-as.
E sei
assim
que amo.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Timbalada

Os Deuses da Morte
Deus Eterno
Deus Imutável
Deus Finito
trazem para as Musas da Vida
Musa Alegria
Musa Prazer
Musa Delícia
uma filha linda
princesa do Silêncio
irmã do Medo:

a Dor.

Mas Deus Movimento
transforma Dor em Vida
e vida continua.


Assim depois do Inverno
vem a Primavera
e nós estamos quase no Verão.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Luzes

"Não é sobre as idéias de outrem que escrevo, mas sobre as minhas. Não vejo as coisas como os outros homens, faz muito tempo que me chamaram a atenção para isso. (..)

Ao expor com liberdade meu sentimento, pretendo tão pouco que ele faça autoridade, que sempre acrescento minhas razões, para que ponderem e julguem.(...)

Digo exatamente o que se passa em meu espírito."

Jean Jacques Rousseau


Rousseau aparece, ilumina, como uma opção.

Iluminista de coração, coloca o coração junto com a razão.

Escreve para as mães, em seu Emílio.
Qual pensador as pensou?

Coloca moral e política, lado a lado. Inseparáveis.

Pensa com a natureza.
Ela, a grande mestre. As coisas e só depois o homem.

Espera o tempo de maturação e o contrário disso faz-se desnaturado.
É preciso aprender com a natureza, deixar que ela nos ensine. Ecologista?

Cronologicamente é moderno, e nós pós-modernos. Que quereria dizer pós-moderno?
Rousseua, um pensador atemporal, que acrescenta. Descobri-lo, ao tempo da natureza, como uma árvore que cresce e demorá décadas para dar frutos.

Com ele acalmo meu coração, encontro um amigo. Um igual. Um que fala extamente o que se passa no espírito. Sem manipulações (ou o mínimo delas).

Com ele discuto, coloco minhas razões e ouço as dele.
Aprendi assim: falo, sim, extamente o que vai me meu espírito, e espero essa sinceridade do outro.

Ingenuidade?
Não acredito; ao contrário, uma crença firme no caráter humano.
Mas antes ingênuo que mau-caráter.

Antes bom selvagem, que apenas selvagem.
Que cresçam os jovens aos olhos públicos, na festa pública.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Felipe 1.8

Embora fazer dezoito anos
Seja um marco e tanto na vida da gente
Espero que pouca coisa mude.
Desde pequeno sempre foi Autônomo Capaz Responsável Equilibrado
Está acostumado a tomar decisões equilibradas
Que é o que continuará fazendo.

Vi, em você, um ser maravilhoso
Do qual, desde o primeiro instante,
Com aquela touquinha azul, me orgulhei.

Eu admiro seu modo doce e simples de levar a vida.
Admiro seu caráter. Sua preocupação com seus pares.
E seu pensar sobre o mundo.

Seu coração traz para minha vida
E posso dizer que para a vida do seu pai
Todo o amor, carinho e equilíbrio:
Quantas vezes não nos ajudou com palavras sensatas?
Você é muito melhor do que eu, do que seu pai, do que podia imaginar alguém ser.

Você compõe nossa família de forma brilhante.
Seu espaço é nossa alma.
Forjado no diálogo, você é ser humano medalha de ouro.

Filho amado, sonhe seus sonhos.
Viva sua vida. Seja sempre feliz na calma ou na turbulência.
Conduza com maestria e elegância sua espada.
Tenha certeza de que meu amor por você é maior que o Universo, que o Infinito.
Mais: Infinito ida e volta.

As palavras não traduzirão jamais o que sinto
Ao ver seu sorriso, seus olhos de mel
Seus pensamentos, seu abraço.
Espero poder sempre desfrutar da sua companhia maravilhosa.

Feliz
Felicidade
Felipe
Mesma raiz. Mesmo fruto.

Te amo, para todo o sempre.
Sua mãe,
26/09/09

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Horizontal

Por um mundo horizontal
Redes
de todos iguais
sem hierarquias
iguais
deitados
olhando a lua
o céu
meditando
horizontais
no horizonte

horizonte
horizonte
horizonte

nada mais a enxergar

por um mundo horizontal
feliz
calmo
tranquilo

feliz
feliz
feliz

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Dia da Árvore


Confesso:


eu abraço árvores, sim.


E gosto!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Gêmeas

Onze de setembro.

Café da manhã em frente à TV.

" Filho, você vai perder a hora da escola!"

Ele também então toma café e vê TV comigo.

Prédio em chamas e um avião some no ar.

"Ué! Cadê o avião?"
"Cadê o avião?!"

O avião havia sido tragado pelo terror.
O terrorista é o oponente desleal: na guerra há ética. Bandeira branca, baixam-se as armas.
Na guerrilha, nunca se sabe de que lado vem o homem-bomba.

Bomba, dizia meu pai, é só jogar e faz o estrago sozinha.

E ele destrói a tudo, inclusive a si.
Mente-se agir em nome de Deus através de religião (estariam ensinando aos nossos pastores presos ou padres pedófilos?).
Matam e morrem.

Penso nas pessoas naquelas torres.
Nos seus sonhos.
No buraco do peito e na história da Humanidade.

Gêmeas, árvores do homem podadas pela ignorância humana.
Bomba-homem é a pior das histórias, que teremos que escrever.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Margens Plácidas

Ontem, na ponte.
Na ponte mais alta, na ponte nova, olhamos o rio enchendo.


Enchendo rapidamente.
Os carros, parados no trânsito. Alagados.
As pessoas, então, saíram dos carros e, de braços cruzados, olhavam o rio.

Outras, em cima da ponte pequena, a ponte velha. Olhavam. Muitas.
Nós, caipiras da capital, que mal sabemos distinguir galinha de pato, estamos alienados das forças da Natureza. Da beleza da natureza.

Aqui,
chuva é igual a trânsito;
sol, igual a ar seco.
árvore, sujeira ou tombamento no portão.

As frutas pegamos - já descascadas no mercado.
As saladas, lavadinhas e embaladas a vácuo.
Peixes, congelados.
Pratos prontos.

Mas nosso coração lembra da natureza.
Bonito de ver aquele rio transbordando São Paulo.
Fosse o Nilo, estaríamos sempre salvos.
Lá, as margens são preservadas por que sabe-se que rio chama as águas e as leva para o mar.
Mas o nosso Tietê que nada contra a corrente: segue para o interior.


Rio transborda.
Façam quantas pistas quiserem na marginal: rio se derrama todo para fora.
Ficamos assim, ontem: olhando aquele rio lindo (que está meio morto por aqui) a gritar-nos:

Eu existo.

Um rio é como um espelho que reflete os valores e comportamentos da nossa sociedade.
Você já olhou para o Tietê hoje?

Ontem nós olhamos.
E gostamos, apesar de tudo.

Observe o Tietê.
Sempre.
Pense e deseje seus peixes.




veja o site: http://www.rededasaguas.org.br/observando/historia.htm
Rio Tietê, eu choro por você.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Bom selvagem

O princípio fundamental de toda moral sobre o qual raciocinei em todos os meus escritos é de que o homem é um ser naturalmente bom, amando a justiça e a ordem; que não há perversidade original no coração humano e qu eos primeiros movimentos da natureza são sempre retos.

O apetite dos sentidos tende ao corpo e o amor da ordem, ao da alma. Este último amor, desenvolvido e tornado ativo, traz o nome de consciência, mas a consciêmcia não se desenvolve e não age a não ser com as luzes do homem.

Quando afinal todos os interesses particulares agitados se entrechocam, tornando o universo inteiro necessário a cada homem, torna-os todos inimigos natos uns dos outros e faz com que ninguém encontre seu bem a não ser no mal de outrem. Então a consciência, mais fraca que as paixões exaltadas, é abafada por elas e não fica na boca dos homens mais do que uma palavra feita para se enganarem mutuamente.

Cada qual finge então sacrificar seus interesses aos do público e todos mentem.

Ninguém quer o bem público a não ser quando concorda com o seu.


Então, prezado Rousseau,

travam-se as mais cruéis batalhas no seio daqueles que deveriam se aliar.
Matam-se os irmãos, por que o interesse sempre foi apenas o de posse.

Mas, estimado Rousseu, acreditemos no bom selvagem.
Eu acredito.
Comentário a excerto de Carta a Beaumont, Rousseau


.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

PT

Eu estava no comício.

Nascia uma estrela.
Uma esperança.
Acreditávamos.


Céu encoberto:
arquivamentos.
Todos.


Deu PT.
Perda Total.


O pior é estar acontecendo essa baderna.
É, de nossa parte, cidadãos, não acontecer nada.
O pior não é o mal acontecer.
É virar rotina.

É o anestesiamento.

Quem sabe Marina nos faça o favor de não pintar o rosto.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Revolução sim; Reforma não

"Eles têm tudo."

Agora é teem não tem mais acento.
É teem mesmo? É.
Acho que é.

As pessoas entregam sua idade pela forma de escrever.

Quem acentua "estrêla", tem mais de 60 anos.
Eu vou ter minha idade revelada pelo acento no têm.

Mas mesmo assim, NÃO VOU ABRIR MÃO DESSE ACENTO NÃO!!! Nem vou escrever autorretrato! Para mim será sempre AUTO-RETRATO!!

JIBÓIA, PLATÉIA, BÓIA.
Eu me gabava de escrever sempre certo, com acento.
Agora sou um zé ninguém.
Pelo menos ninguém ainda tem acento.

Eu tenho muitas dúvidas de português ou sobre a vida. E tenho três anos para respondê-las.
Depois é PAU!

Eu comprei a nova gramática.
Li. Reli. Treli.Tem tanta exceção que dá enjôo (não tem mais acento, viu?). A exceção é a regra. (Não: eu não volto pra 1º série por que a professorinha não vai saber nada da nova reforma. Vai estar caquética fazendo cursos de reciclagem e aprendendo a ser professora. E olha lá se não escreve estrêla!)

Até os gramáticos e especialistas estão se enrolando. Já saíram pelo menos que eu sei três edições revistas da reforma. Ninguém entende nada!!

Levanto agora uma bandeira: abaixo a reforma!
Todos os seguidores do meu blog vão aderir e vamos fazer uma revolução.
Não pense que são só esses três não: tem muito seguidor oculto que não põe a cara! A tática é de guerrilha!!

Abaixo a reforma!
Viva a Revolução!
Eles têm que aceitar: por bem ou por mal!
Não é mau não, hein!?

Guerra Santa

Está de volta a Guerra Santa.

Agora na era digital.

Os fiéis indignados, blasfemam: "não vemos mais a Rede Globo! Nem de passagem!"


Sei.
Ahã.
Conhece "da boca pra fora"?
É um Coral do Conservatório de Tatuí. Muito bom.

A fé arrebanhada em doações de interessados em "comprar" seu terreno no céu. Mas muitos não querem pagar o IPTU. Afinal, eles são de deus.
O demônio são os outros, como diria muito mais profundamente Sartre. Mas esses "fiéis" não vão entender. Só paga suas contas em dia os arautos do demônio. Os fiéis acreditam ter o aval de deus para avacalhar com as leis humanas.

Eles arrebentam tudo fazendo da Bíblia sua espada de guerra.
Homens submetem mulheres a sustentá-los, afinal "são a cabeça da família".
Ficam assim, vendo televisão à tarde, enmcasa, com cervejinha no braço do sofá, enquanto a mulher trabalha como louca vendendo sanduíches na barraquinha na rua.
Mulher tem que ser submissa. A ele.

Outros fingem-se de virgens de dia e à noite saracoteiam nas festas country, com roupas que nem a Dercy Gonçalves usaria. Mas isso não é o pior (isso não é nada).


O pastor olha as pernas da irmã que usa sim mínissaia. E se insinua. Mas ele não é pastor e casado? Mas deus quer assim... Afinal a irmã é que está atentando o puder.

Ou então colocam bebidas alcóolicas escondidas nas festas. Um golinho para o demônio.

Não pagam e não avisam.
Enganam.
Mentem.
Reproduzem os piores exemplos de falta de ética e urbanidade nas relações sociais.

E gritam exclusividade de deus. Esse povo é que se auto-intitula emissário da boa-nova.
Esse povo diz que não vai ver nem de relance a Rede Globo.
Sei.
Se hipocrisia matasse...


Do outro lado, temos a vênus platinada da verdade.
Quem não sabe como são erguidas as riquezas dos mensageiros de deus?
Os "fiéis" - fiéis a seu egoísmo de arrebatar seu lote no céu e dane-se o outro - doam por que querem. Fi-lo por que qui-lo.
Se doam mais é por que esperam mais retorno. Nada de amor desinteressado pela obra de deus.
E a platinada agora carrega a espada de São Jorge contra os enganadores dos pobres.

Guerra Santa: pela audiência. Elas - redes de tv ou igrejas - querem mais fiéis.
Os fiéis que seguem novelas, que compram detergente, que consomem salmos. Querem exclusividade. Vendem um deus que ama só alguns, os escolhidos que doam dinheiro ou alugam seus olhos. Dá na mesma.

Tudo vale pelo palácio em Campos do Jordão.
Ou em qualquer outro lugar. Sabemos como funciona o esquema.
O deus, para eles pastores ou fiéis, é dinheiro. No seu bolso.

Quem afinal entregaria sua orientação de crescimento espiritual para uma bispa-perua??

Desses "cristãos" quero distância.

Assim como dessa guerra santa-do-pau-oco.

Deus, espero, não está interessado em dinheiro.
Mas em "paz e amor".
Como em Woodstock.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Distância

A distância é um fenômeno paradoxal.

Tantas pessoas distantes se fazem tão presentes. Amigos em outro país, por exemplo.
Amigos inesquecíveis não precisam do convívio. São eternos.
Quando os encontramos, parece que foi ontem a última vez, mesmo que tenham se passado anos.
Lembramos e revivemos tudo. O coração pulsa.
Aqui, a distânia não existe.


Outras vezes, ela é implacável.
Em relacionamentos frágeis, dificultosos, ela vai apagando o que existia.
Vai ficando longe, as poucas histórias vão definhando.
Como em famílias doentes.
As últimas lembranças a irem embora são as ruins, como num último suspiro.
E a vida segue seu rumo com pessoas que pareciam ser tão importantes na sua vida deixando de existir. Virando fantasmas assombrados. Não fazendo falta alguma. Pior que mortas.
Aqui a distância é real e ajuda a esquecer o nada.

A distância é sábia: seleciona a convivência.

Filosofia da Dúvida

Poder da Dúvida: perguntar expõe o status quo.

Pode estar desmoronando uma estrutura osteoporizada.

Descartes: Colocar o conhecimento em suspenso.

Não afirmar categoricamente traz a tona a possibilidade de estarmos todos flutuando.

Dúvida ameaçadora: “você duvida que eu faça isso?”
Dúvida desestabilizante: “duvido que você faça isso”
Dúvida impulsionadora: “duvido que você consiga”
Dúvida aterrorizadora: "Por que sempre fizeram assim?"
Dúvida que remove entranhas: "Não admito que me pergunte isso".

Eu só sei que nada sei.

E você?
Sabe o quê?

Perguntar irrita aquele que pensa que sabe bem um assunto, mas que se vê “desmoralizado” Pode parecer irônico a quem é submetido a perguntas.
Mais seguro falar do que se sabe e esquecer do que não se sabe.

Conhece-te a ti mesmo: duvide.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Violino

Não há nada
de tão grande
tão insuportável
que não se possa viver.

Uma música estranha
som contínuo
fundo finito
que a gente devora.

E na avenida
sentadas na escada
que leva ao vão
esperamos o pior.

Que não virá.

Porque nada
é tão grande
tão insuportável
que não possamos
olhar do alto da escada
e sorrir.


(para minha irmã)

Bis

O Mar e a Música
são irmãos
filhos do Infinito e da Delícia.

Ouça tua música
desnude
as sereias
os dourados
as estrelas-do-mar
que carregas
no teu mais profundo oceano.

Que teu horizonte
seja alcançado
com tuas remadas precisas
porém encantadas
como convém a um boto.

Que teu mar escorra
na forma mais infinita e deliciosa
de música que existe:
a vida em cada porto.

Concerto

A vida se faz semifusa
quando homens
de olhar sincero
se enganam
com o ópio verde do depois
deixando estrangular ações
emoções
revoluções.


Pausa.


Morrem disfarçados de felizes
Com carinhas de anjos
Hipocritamente em pausa
Na pausa do desespero
De tomar do fantasioso cálice
Abençoado.

Rock dourado

grita guita
dourada
esvoaçante como tua crina
em fogo
que arde nos dedos
num choro sambado de rock
azulverdeamarelodourado


bandolim
da beleza
da coragem
do sim




(para Nei Marques)

Maestro

Todas as músicas
sementes
brutas
na terra

Na mão
a pá
fura espeta cavoca assenta
acaricia
acolhe
colhe
recolhe

No olhar a seiva
que germina
em flores em tons
de todas as cores

No gesto,
o maestro.
Na alma,
Jardim.

(para Gil Jardim)

Leia

NÃO É IMPORTANTE

QUE

VOCÊ GOSTE DOS MEUS ESCRITOS.



É, SIM, QUE VOCÊ OS LEIA.




ASSIM NÓS DOIS NOS TRANSFORMAMOS.

Jazzístico

Todos agora
têm direito
à liberdade
frases no ar
improvisos.




Outsiders.

Blues

a porta
se fecha
e uma dor
de partida
se abre

como se fosse
a última.

Pau de Chuva

No peito corre um rio
rodeado de árvores copadas

Descansa...

Molha teus pés em mim
Sacia tua fome
nos frutos divinos que trago
Perde teu tempo
nos passeio dos meus peixes
Segue o vento de mim.

Respira fundo e fecha os olhos
ouve a paz
o som do calor
do verde.

Mergulha e vira boto
Nada para nosso infinito
Brinca.
Ri.Descansa.

voz

VOZ


A dela
tão dela
tão linda...

VIXE! QUE COISA MAIS LINDA!

mais grave
mais agudo
mais rasgado
mais doído
mais um pouco
irreverências mil
na voz que era um fuzil


PADAPATRITRITRITRITRIPADORRÉ
TRIPADORRÉ
TRIPADORRÉ!

BAIXO

aperta
o peito
trava
a garganta
umedece
o olhar
acalma
o ouvido


e


dói.



(para ZÉ ALEXANDRE)

De palheta

E foi com um sopro.


Sopro divino
de um ser iluminado
Um mago
que não anda,
flutua;
não fala,
cria;
não toca,
gera.


Alquimista
que transforma ar
em êxtase.



(para PAULO MOURA)

Viola rio acima

Descobrir o prazer


calmo
como um rio
forte
como uma cachoeira
livre
como um pássaro.



o prazer.

Cítara

Sentar na pedra
tempos sentindo
vai-e-vem
ondas e mar

Deita na grama
imaginando
formas infinitas
nuvens no peito

Subir no topo
bebendo prateado da lua
nova na noite

Tudo apenas se move se vive
se transforma com a lua cheia
depois vazia
depois cheia de novo
depois vazia
depois cheia
e vazia e
cheia de vida.

Batuta

A CANÇÃO MAIS LINDA É AQUELA
QUE A GENTE ESPERA


ACHANDO QUE NÃO VAI VIR
E VEM


PENSANDO QUE NÃO EXISTE
E TEM

morte

Talvez a morte se assemelhe

À geleza

De um sorriso-conveniência;

À morbidez

De um ensimesmamento;

À inatureza

De uma dissimulação;

À solidez

De uma sólida solidária solidão





Entre nós



Humanos.

BOCA NO TROMBONE!

O homem quer ser mais que apenas ele mesmo. Quer ser um ser total. Anseia uma plenitude que sente e tenta alcançar. Se fosse da natureza do ser humano não ser ele mais que um indivíduo, tal desejo seria absurdo e incompreensível, pois como indivíduo ele já estaria então pleno, já sendo tudo que seria capaz de ser. Esse desejo do homem de se desenvolver e se completar indica que ele é mais que um indivíduo. Que almeja ser cidadão.

Para conseguir ser um artista é necessário dominar, controlar e transformar a experiência em memória, a memória em expressão, a matéria em forma. A emoção não é tudo: ele precisa saber tratá-la, transmiti-la, conhecer as regras, técnicas, recursos, formas e convenções com que a Natureza se sujeitada à concentração da arte.

Nesse mundo alienado em que vivemos a realidade social precisa ser mostrada no seu mecanismo de aprisionamento e de aculturação. A valorização da cultura é a raiz forte e profunda da evolução de uma nação.

A arte é necessária para que o homem se torne capaz de conhecer e mudar o mundo. Mas também é necessária em virtude da magia que lhe é inerente.

A função da arte



A ARTE É O MEIO DE UNIR O HOMEM À PLENITUDE.

PAZ INTERIOR

Que dizer da guerra?

De qualquer tipo de guerra. Inclusive as cotidianas.


Assim como o príncipe de Maquiavel, o guerreiro sabe que a ferocidade do espetáculo faz o povo ficar ao mesmo tempo satisfeito e estarrecido; matar de modo espetacular ergue o reinado do medo, uma pacificação total, pois quem irá contra o poderoso? Ou, como o Soberano de Hobbes, dá conforto e preserva-se pelo medo também?

Mas quem ousaria dizer-se diferente?
Quem dentre nós sabe-se equilibrado, prudente, moderado?
Quem quer ser considerado pusilânime?


Os deuses primeiro cegam àqueles que querem destruir, segundo a mitologia grega. O herói trágico erra pelo excesso de querer acertar. Sua hybris, seu destempero, em querer ir até o fim pode cegar como fez a Édipo, que fugindo do destino cada vez mais estava nele. A sensação de sentir-se menos, humilhado, ultrajado, cega. E é preciso lutar.

Mas nós, mortais, cegos por vezes como semideuses, por motivos bem menos divinos: medo, ódio, orgulho, vaidade, hostilizamos. O bushismo, atacar para se auto-afirmar, muitas vezes pode estar em casa. Quem nunca usou de autoritarismo, leia bem, digo autoritarismo e não autoridade, dentro de casa ou no trabalho? Quem nunca agrediu com palavras? Com gestos? Com olhares? Com silêncios?

Quem nunca abusou do poder?
Quem?


Muitas manifestações de paz pelo mundo. Na base de pedras, agressões, raiva, ódio. Policial que tem por função defender e proteger, atacando. Pessoas invadindo embaixadas. Homens-bomba explodindo. Tudo pela paz. Tudo pela paz?


Esta guerra que acontece ao vivo em cores, com hora marcada, como um espetáculo criteriosamente ensaiado e dirigido, é, ao mesmo tempo, vergonha nessa altura da civilização e ocasião para reflexão, principalmente autocrítica. Como o ideograma oriental que traz em si a crise e a oportunidade. Que seja o momento da busca imediata da paz interior, como reflexo do que se deseja ao mundo. À nossa Terra, mãe que crê em filhos amorosos. Busquemos o retorno: natureza e não ecologia; infância e não pedagogia; desejo e não sexualidade. Menos cientificização e mais vida. Menos tecnologia e mais humanidade. Ou estamos na Era da Caverna Cientificizada?
Por um momento espero que cada um se responsabilize pelo abstrato que é a humanidade e faça sua parte. Eu tenho vergonha de fazer parte deste instante histórico e proponho: paz interior.
De verdade.

O esteta

Defender a regionalização cultural pode ser facilmente comparado com "bairrismo". Mas não é.

O bairrismo hostiliza ou menospreza tudo quanto se refere aos demais: só que é meu (ou o que eu conheço) é o melhor. O outro, o diferente, o desconhecido, o novo, não merece nem mesmo consideração. Já escolho logo o que conheço, escolhendo, em última estância, eu mesmo, e estabeleço uma estética da ignorância, do provincianismo, da mesmice, de um tipo de fascismo e racismo. Num exemplo cotidiano: se a minha tia, meu irmão, minha escola está lá, numa apresentação artística, por exemplo, é o suficiente para que a coisa em si seja boa. Para que eu a escolha como boa. E no interior é quase impossível não acontecer isso.

Esse tipo de escolha é o mesmo caminho que sustenta seu oposto: a "globalização" da cultura. São roupas, informações, modos de viver, que se assume como próprio (olha o meu aí de novo) , negando o outro. Nessa suposta derrubada de fronteiras o que se faz é o contrário: ergue-se uma estética alienante cercada de auto valor por si mesmo. E só.

Mas então o que seria "regionalizar" a cultura? Seria começar um processo de auto-valorização verdadeira. Reestruturar-se a partir da única base honesta para a estética: a qualidade. Ela é que deve prevalecer na experiência sensível da arte e não o critério mesquinho de "se conheço, eu gosto, se é meu, eu gosto". Seria desprender-se de valores egoístas e mesquinhos e buscar a profundidade da experiência cultural.

Mas isso implica em esforço. E muito. E de todos.
Requer, antes de tudo, coragem para mudar.


Deixar de acreditar na mesmice - que paralisa, e dá uma certa idéia de conforto e partir para a ação. Acreditar que há muito que eu não conheço e pouco que tenho feito. É parte da sociedade agregar valor à estética, mobilizar-se em formas de apoio cultural (comerciantes, empresários, profissionais liberais, industriais) o que seria a carta de alforria da cultura em relação ao "mercado cultural" - que de cultural não tem nada. Seria jogar-se num imenso propósito de unir professores, empresários, artistas, em busca da qualidade. Abrir portas para a possibilidade cultural. Colocar um grupo de teatro, de música, de artistas em cada escola, clube, praça.

Exigir a construção de teatros, cinemas e livrarias para a cidade com o mesmo empenho que se exigem escolas, hospitais e creches. Exigir das televisões um mínimo vínculo com a realidade que se vive e não aceitar passivamente a novela sempre estrangeira ( seja mexicana ou carioca).Tudo isso é essencial para completude do ser humano, da cidadania. Preservar o artista, fazendo de si um mesmo. Fazer cursos de arte, ir a centros culturais, cinemas, ler.

Não se é humano sem arte. Ou se é apenas corpo.

Regionalizar a cultura é partir para a estruturação de um país melhor. É mudar o arquétipo do caipira burro, ignorante, iletrado, de modos rústicos, para o ser humano integrado com a natureza, com seus sentidos abertos para entendê-la, percebê-la, senti-la. Como uma pessoa que adota uma atitude requintada com relação à arte e à vida.

Regionalizar a cultura é acreditar que o caipira não é um bronco, mas um ser ligado essencialmente à experiência dos sentidos.
Um esteta.

Musicar

MUSICAR
(CONTRA O HORROR AO SILÊNCIO)


“Toda relação bem sucedida pode ser chamada de musical”
(Roland Barthes)



A indústria cultural, a cultura de massa, favorece no domínio da música em particular, o excessivo desenvolvimento de apenas consumir, em prejuízo do autêntico ato de musicar. O consumo em massa promovido e divulgado pela mídia, consegue refrear o desenvolvimento da cultura popular. O homem massificado adquire verdadeiro horror ao silêncio, precisando consumir, aqui musicalmente, continuamente. Quantos de nós já não presenciamos ou protagonizamos aquela fuga para o relaxamento – num sítio, fazenda, montanha – e demos de ouvido com aquele som infernalmente alto e ruim que vinha daquele carro equipado em aparelho de som? Ou numa compra em supermercado com som de uma rádio FM que de vez em quando toca um música (chata), nos intervalos de um locutor enlouquecido entre suas palavras sem fim e ruídos intermináveis? Ou naquela loja, experimentando roupa, a música contínua e péssima? Concessionárias em dias de “promoção”. Inaugurações. Festas em escolas: músicas que nem adultos deveriam ouvir! A música parece com uma cortina: ninguém repara, só quando tira. Ninguém ouve essa poluição auditiva. Ao menos conscientemente. Já pedi muitas vezes para abaixar o som de lojas e percebi o espanto: afinal, “nem dava para ouvir. E anima tanto...”
Quantas pessoas conhecemos que gostam de algum instrumento, que queriam tocar violão, saxofone ou cantar? Mas é tão difícil... O ensino de música nos Conservatórios é voltado para a formação de profissionais, tendo a preocupação principal dirigida ao treinamento instrumental ou vocal, e em segundo plano os cursos de composição. O intérprete musical – virtuose, técnico – libera o ouvinte de qualquer atividade e anula a possibilidade de produzir. As execuções das obras-primas tornam-se mais importantes que o simples ato de musicar, acessível, em princípio, a todos, tornando a música um consumo passivo. Há a cisão na música: a música que se escuta e a que se executa.
Retomada urgente da música como atividade criadora, e não apenas como uma mercadoria a ser consumida por uma massa amorfa!
É preciso desaparecer com a oposição artista x público. Recolocando o homem, em essência um ser criador, em posse integral de sua natureza criativa. Quantas pessoas já não ouvimos dizer (talvez nós mesmos já o tenhamos dito): “Eu não tenho voz boa para cantar”! É a máquina consumista impondo lamentáveis padrões vocais. O importante não é Ter uma voz assim ou assado, mas descobrir as possibilidades vocais – musicais - de cada indivíduo.
A prática musical nas escolas é incomensuravelmente mais importante que o ensino acadêmico e endurecido de um Conservatório, que visa formar profissionais. É preferível o amador: aquele que ama, e produz. O técnico às vezes está alienado inclusive de si mesmo. De sua potencialidade criadora, julgadora e ativa. A prática que vem pela escola vem acrescida dos hormônios, dos amigos, do amor, da descoberta. Não há notas, séries, provas. Apenas o mais importante: fazer. Não é só o esporte que pode ser antídoto para uma série de males que afligem nossas crianças e adolescentes: a música , dança, teatro, poesia também. Desde que em moldes de criatividade, de produção, de posse e não de imposição.
Regionalizar a cultura musical é diversificar. Aceitar o amador e a diferença. Trazer para as escolas, para os ouvidos que estão se formando, além da música de conservatório, a beleza da música regional, suas peculiaridades e, principalmente, sua forma de ser feita. Formar bandas e tocar nos coretos.
Tente um exercício extraído do livro “O autoconhecimento através da música”, de Peter Michael Hamel deite-se num lugar silencioso. Respire conscientemente. Aos poucos imagine a vogal que sente estar mais próxima de você. Com o tempo descobrirá qual é a “sua” vogal. Com muita cautela, pronuncie esta vogal. Não se preocupe se surgir um som “feio”. Não o modifique para um bonito e cantado. Deixe sair como sair. Repita vários dias. Após um certo tempo, começa-se a cantar sempre numa mesma altura. Você descobriu seu som próprio! Cante-o.
Musique seu próprio som.

Música à vista!

Quando Cabral descobriu o Brasil, gritou:
“- Música à vista!!”
O que, a bem da verdade, foi um santo remédio para ele que andava meio enfadado.

A tripulação se agitou não se sabe bem se por causa da variedade de sons ou por causa das “índias” a balançar os quadris.
Aportaram com espelhinhos, miçangas e bugigangas, mas os supostos “índios” estavam alvoroçados e não queriam saber daquelas quinquilharias.
Gritavam, entusiasmados:

- O pessoal da gravadora chegou! Estamos salvos!!

Cabral, de cara, se enfeitiçou por Tom Jobim, Chico Buarque, Vinícius, Caetano, Rita Lee, Gilberto Gil, Sinhô, Pixinguinha, Ismael, Noel, Geraldo Batista, Cartola...
Um sem-fim de povo bom de música.

Esperto como ele só, dono de um tino comercial enorme, que só perdia para seu senso de orientação, pensou:
- Isto cá é uma mina de ouro, ora pois!E sacou de seu portátil e gravou, pra começar, Garota de Ipanema e Carinhoso.
Foi o suficiente.
Certo de agradar seu rei, voltou a Portugal orgulhosíssimo da bagagem magnética que levava. É certo que a viagem de volta foi difícil, pois perdeu muito de sua tripulação que resolveu ficar para desfilar no Olodum e no Ilê, no carvanal da Bahia.

Quando chegou, explicou ao rei o porquê da baixa de marinheiros e mostrou-lhe a fita k7, dizendo:
- Isto aqui vale ouro, pois não!
- Não me diga bobagens, pois sim! Disse o rei com enfadamento.
- Meu rei, disse ele num jeito já meio baiano de ser, está na cara que esta música será a mais tocada no planeta. Vamos ficar ricos!
- Vamos? Ora, Cabral, olhe para mim e veja se preciso algo além do que aquelas terras abençoadas que você descobriu, apesar de ir na contramão. Vamos explorar a colônia e só!
- Meu rei, vamos montar uma gravadora vinculada com uma editora e ganhar o planeta!
- Cabral, a viagem lhe tirou os poucos miolos que você tinha. Deixa cá esta fita, confiscada, e vá conversar com Colombo sobre questões mais importantes. Estamos tendo muitos problemas. Além do mais, tamanho monte de ritmo é música de índio. Esquece, Cabral!

O rei confiscou a fita, mas diz-se que de vez em quando era visto cantarolando umas canções nada enfadadas.
Cabral mandou um email para o pessoal:“Índios, sua música não serve para o sucesso”.

Caetano estranhou:- Índio? Eu sou baiano, de Santo Amaro da Purificação!! E foi uma polêmica e tanto!

Mas acontece que os hacker dos Estados Unidos da nossa América tinham grampeado o computador de Cabral. E então ficaram sabendo que havia uma mina de ouro naquele país tropical cheio de “índios”. Mandaram agentes especiais, olheiros, que foram, devagar e sempre, selecionando alguns escolhidos para o sucesso, desde que fizessem algumas concessõezinhas, é claro, que nada vem de graça. Só vai.

Pra começo de conversa, toda “índia” que quisesse fazer sucesso, teria que ser loura. E foi uma correria aos supermercados para comprar o hene-maru super-blonder.E os brasileiros, que falavam português, elegeram uma portuguesa como símbolo com todos os penduricalhos de Cabral, a Carmem Miranda, ora pois, numa tentativa de agradar ao pessoal da “gravadora”. Alguns questionavam as concessões, mas eram uns chatos. Sucesso é bom e todo mundo gosta.

Muitos foram levados embora. Os que ficaram, morriam de fome física, mental e espiritual. Quando Frank Sinatra gravou Garota de Ipanema, Cabral processou o rei de Portugal por perdas e danos.Perdeu. E danou-se. Com todo espaço cedido, os gringos compraram nossas rádios com uma espécie de fruta chamada jabá e determinavam o que se gostava ou não.

Pior: determinaram que nossa música não tocava mais por aqui. Que a deles era melhor e coisa e tal. O músico-índio ficou surdo de esperar ouvir seu som tocando no rádio daqui.Hoje alguns estão felizes: quase já falamos inglês totalmente, acreditamos na globalização como uma forma democrática de expansão das nações, e que no fim-de-ano o Papai Noel nos realizará todos os desejos.

Outros continuamos na luta, batalhando pelo talento, pelo valor e a riqueza de nossos maxixes, que não tocam mais.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Felicidade - possibilidade 1

"O que é que eu quero e não tenho?"
"O que é que eu tenho e não quero?"

São as duas perguntas sobre as quais se medita, na tradição budista, para descobrir de onde parte o sofrer.

Nada será melhor amanhã se não aceitarmos nem usufruírmos o que temos agora.

A possibilidade de sermos felizes está em aceitar o que se tem.

Tudo que nos é dado tem e faz sentido.

Shotaro Shimada

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Bilhete

Nossa casa, nossos irmãos, nossos pais estão em toda nossa volta.
São todos que encontramos.
Monja Coen Shingetsu
Bilhete para meu pai:
Você
que não era monge
que eu saiba
ou não aparentava ser,
com palavras
e ações
viveu a família
de todos que encontramos.
Sempre dizia
família não é
apenas
aqueles que nascem
juntos.
Meu bilhete é para dizer
que apesar de você ter ido
para outro plano
cedo demais
rápido demais
e faz uma falta danada pra mim
de nada me arrependo:
de novo faria a mesma escolha.
Viveria na sua casa
com seu olhar
suas palavras
seu carinho.
Era meu escudo contra as loucuras dos que querem destruir todas as possibilidades de família...
Hoje,
sozinha,
aprendo a viver como você:
sozinho de família de sangue.
Mas encontrando a família
dos que estão à minha volta.
Eu te amo.
Receba na estrela em que mora hoje meu afeto.
Magali

Varinha de Condão










Aquela casa do juiz em Araçatuba é que era uma casa.
Tinha tanto espaço e uma garagem enorme.



Da varinha de condão me lembro a peça de teatro.

Escrevi.
Dirigi.
Fiz o cenário e figurinos.
Bilheteira.
E personagem.

Toda a turma da rua veio asisitir.
As cadeiras foram ocupadas.
Começa o espetáculo e as personagens entram em cena: uma fada e uma bruxa.
Mundo simples e maniqueísta. Mundo de criança.Com um olho no futuro.

Fiz a bruxa, embora tenha escrito para mim o personagem da fada. Percebi desde lá que existem aquelas pessoas que pouco fazem e só aparecem para... aparecer!Vampiros. Exigiu ser a fada, para que o espetáculo acontecesse. E eu, para que o espetáculo acontecesse - minha alma estava nele - fiz a bruxa. Afinal, que seria de uma fada para provar sua "fadice" se não houvesse uma bruxa, espalhando sua "bruxice"?

Quem seria afinal o protagonista?
Foi muito bom, muito pleno.

Lembro da confecção dos figurinos, dos chapéus bicudos, estrelados: azul para a fada; preto para a bruxa. Da arrumação das cadeiras. Dos meus amigos chegando. Os bilhetes. A cena acontecendo. Os aplausos.

Nasceu uma atriz que escreve e produz seus espetáculos.




terça-feira, 28 de julho de 2009

Herança


Muito bacana o passeio pela Casa dos Contos.

Tanta memória preservada que dá gosto.

Toda travessia é auxiliada por mocinhas delicadas que nos orientam. Solícitas a cada pergunta.

Exceto na Cozinha dos Escravos.
Ali o sol é pouco.
Ali a memória foge ficar escondida.

Instrumentos de repressão, expostos, em redomas.
Algumas aquarelas, delicadas, nos dão um pouco a idéia da crueldade dos equipamentos.


O vigia do local, negro, reclama da falta da presença das mocinhas ali em embaixo também. Afinal, a Senzala faz parte do Museu. Mas, ao mesmo tempo, explica, com certo orgulho e dor, tudo que lhe perguntam. Vê-se no seus olhos a memória viva da raça. E a força de ter aprendido as respostas.

Explica: ali não se pode fotografar.
Todo o Museu foi livremente fotografado. Ali, não pode. Diz que foi por causa do uso indevido das fotos. Quem terá espalhado nossa memória, assim, descaradamente? Não pode! Isso fica nos porões!

Todo o caminho leva à nossa herança: um modo de pensar colonialista: imitamos nossos colocnizadores, seja em que época for. Um estilo de vida coronealista: manda quem pode, obedece quem não quer ir para o tronco. Valem as hierarquias. Vale quem pode mais.
Vale quem chegou primeiro.
Olhar essa Senzala balança firme posicionamento contra a política de cotas.
Ruim com elas, pior sem elas.
Uma dívida, que não se pagará jamais.
Dor, que não se apagará no fundo do museu.


No espólio de um país morto em sua macaquice colonialista,
o ouro é preto, mas o valor é branco.


Ouro Preto - Mariana

video

de trem, que calma, que delícia!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Pregação

Templo é dinheiro




suspira o pastor
Rico
Dono de TV
Rádio
e loteamentos do céu!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sentença Condenatória de Tiradentes

Justiça que a rainha Nossa senhora manda fazer a esse infame réu Joaquim José da Silva Xavier pelo horroroso crime de rebelião e alta traição de que se constituiu chefe e cabeça na Capitania de Minas Gerais, com a mais escandalosa temeridade contra a real soberania, e suprema autoridade da mesma Senhora que Deus Guarde.
Manda que, com baraço e pregão, seja levado pelas ruas públicas desta cidade ao lugar da forca, e nela morra morte natural para sempre, e que separada a cabeça do corpo seja levada a Vila Rica, onde será conservada em poste alto junto ao lugar de sua habitação, até que o tempo a consuma; que seu corpo seja dividido em quartos, e pregados em iguais postes pela estrada de Minas Gerais, nos lugares mais públicos, principalmente no da Varginha e Cebolas; que a casa da sua habitação seja arrasada e salgada, e no meio das suas ruínas levantado um padrão em que se conserve para a posteridade a memória de tão abominável réu e delito, e que ficando infame para seus filhos e netos, lhe sejam confiscados seus bens para a Coroa e Câmara Real.


Rio de Janeiro, a 21 de Abril de 1792
E eu o Desembargador Francisco Luís Álvares da Rocha,
Escrivão da Comissão que o sob escrevi,
Seb. "X" de Vasc. "Cout".









Comentários:


1. Era militar: ninguém fala.


2. Enforca, esquarteja, salgua, pragueja. Mas precisa ainda confiscar os bens? Hum...






domingo, 5 de julho de 2009

VIDA

Filha querida,
eu te amei mais do que pode
alguém na Terra amar.
Eras para mim a esperança,
o futuro, eras tudo.
Mas também eras rebelde,
ainda que para ti eu fosse, igualmente,
a esperança e o futuro.

A vida colocou pedras em nossa estrada
e, ingênuos, nelas tropeçamos.
Viraste à esquerda, eu à direita,
outros continuaram em direção ao centro.
Porém,
a linha reta leva ao lugar comum
e só as derivantes
conduzem a espaços inexplorados.

No círculo normal da esquerda
para a direita
e da direita
para a esquerda,
tenho certeza de que um dia
riremos, no além,
das travessuras que fizeste
e dos tapas que te dei.
Sim,
porque lá, dizem,
fazemos o que queremos
e queremos o que fazemos.

Teu sorriso
será eterno e imutável no Cosmos,
Minha paciência,
e meu amor, tenhas certeza,
será maior do que o infinito e, juntos,
choraremos pelos que não nos entenderam !
Perdoa-me por ora,
querida,
abraça-me depois.
E quando daqui partires
para beijar-me no céu,
não esqueças
de levar a espada
que te dei,
com muito critério:
é o símbolo do ataque
— morte —
e da defesa
— vida —
dos nossos choros
e dos nossos risos.



31.08.80

Estrelas

Minha lágrima
pingou,
cristalizou,
virou estrelinha.

Escorreu,
bateu no dedão,
não a quiseram:
foi para o céu.

Brilha lá,
pequenina...

E eu cá,
quando a dor aperta,
pingo outras estrelinhas,
e mais outras ainda...

Um dia terei uma constelação
e ninguém vai entender porque!


Magali (set/1981)

GAIOLA ARBITRAL

Hoje, dás os primeiros passos
relativamente autônomos.
É o mundo das obrigações reais
que se abre aos olhos do jovem,
diferente do mundo até agora
meramente de direito,
ou predominantemente de direitos.
É o início da caminhada
rumo ao controvertido,
ao incompreendido,
ao repulsivo
e até mesmo inconseqüente
mundo dos dirigente.
É o universo obrigacional
terrivelmente disforme, cruento,
porque esteriotipado no
complexo comportamento do humano.
É a primeira e mais importante
etapa de desvinculação
do poder tirânico,
mas também o rimeiro sentir
da transmudação da autoridade.

Muito foram os embates;
muitas foram as derrotas;
muitas as conseqüências e
muitos os choques opinativos,
porém, necessários.
Necessários
para não se transforma em surpresa
o óbvio da adversidade
perene e indestrutível
da incompreensão terrestre.
Várias das disputas perdi, e me senti feliz;
outras, venci
e me senti derrotado.
Também quase perdi
(ou perdi totalmente)
a liberdade de libertar...
E na estreita esfera
da minha gaiola arbitral
não sei se não matei
o pássaro irreverente
que se atrevia a tentar passar pelos arames,
feitos grades enjaulatórias,
do estreito universo liberal do homem.
Contudo,
da refrega seguramente ficou,
incrustada no livro da consciência,
a verdade que um dia a História Cósmica
provará:
Houve um pai, com amor,
e houve uma filha, adorada.


Parabéns (21.11.80).

AO MEU PAI

Que pena ter só um pai.
Já pensou que maravilha
um montão de “coroas” (?)
Me chamando de filha?
Mas todos, sem exceção,
Teriam que ter exatamente
Esse seu jeitão
De quem não bate
Pra não machucar;
De quem esquece, mas
Às vezes chega a gritar;
Certeza de tudo que faz
E no coração um realmente.
Terão que ter o pé não muito cheiroso
E o nariz um tanto volumoso
E que estejam sempre lendo.
Que sejam loucos por cocada
E sempre estejam ensinando.
Terão de gostar de um sambinha
Sem muito desprezar a discoteca,
Gostarem de cerveja geladinha
E soltar algumas piadinhas.
Não! É simplesmente impossível
Existirem pessoas ou alguém simplesmente
Que seja como acabei de falar.
Porque só você é assim
Porque só você é realmente
Quem eu posso com muito orgulho
Chamar de “Meu Pai”.

(21.05.1.979)

Liberdade

Espaço de liberdade.

Quem fala o que quer,
não tem rabo preso.

E repete.

Como diz Gaiarsa: todos controlam todos para que ninguém faça/diga aquilo que todos têm vontade de dizer/fazer.


Olhe a paisagem.
Respire.
Seus brônquios inflamados refletem os sapos mentirosos instalados na corrente sanguínea.

Vomitando sapos

Dor de garganta.
Febre.
Mal-estar?

Gripe suína?

Não: falta de vomitar sapos entalados na goela.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Doce de estrela: sonho

Não sei se conheço pessoas doces. Algumas agri-doces.

Talvez uma.

Ioná.
Um nome curto. Singelo. Meigo.
Como seu olhar.

Às vezes escondida numa proteção de dureza, de um enrijecimento aparente. Palavras que contradizem o olhar.

Eu sonho a Ioná com uma mochila nas costas, voando seus sonhos. Livre como uma pipa colorida dançando no céu azulado. Mais: livre como uma própria estrela, multileve, multisorriso, multicriativa.

Ioná é uma estrela que alegra o coração da gente.

Seria uma indiazinha perdida na nossa selva dura?

Seu abraço e seu coração no meu peito: doce sonho. De valsa.
Eu sonho a Ioná. Um sonho: aquele doce muito fofo, preparado com farinha de trigo cozida, leite e ovos, frito em gordura quente, e passado em açúcar e canela, ou servido com calda rala, podendo também ser recheado.
A Ioná é assim: com canela, recheio, brilho, no céu ou no mar: muito fofa.

Doce.

domingo, 28 de junho de 2009

Toda Música

Nós estamos juntas há um longo tempo já,
A música, a música e eu.
Não me importo se todas as nossas canções rimam,
Agora a música, a música e eu...
Eu sei, onde quer que eu vá.
Nós somos tão íntimos quanto dois amigos podem ser.
Têm havido outros,
Mas nunca 2 namorados
Como a música, a música e eu...
Pegue uma canção e venha junto,
Você pode cantar sua melodia.
Em sua mente, você descobrirá
Um mundo de doce harmonia....
Pássaros de uma espécie
Voarão juntos.
Agora com a música, a música e eu...
A música e eu...

Music and Me Michael Jackson







Em todos os momentos da minha vida lá estava ela.
A música.


No coral do Instituto de Araçatuba. Descoberta.
Na fanfarra de Piedade. Conguinha.
Na Banda do Homero Campeoníssima. Hormônios.
No recital Vidal e eu: violão. Liberdade.
Nas viagens para Curitiba, na solidão do ônibus: eu , ela, rádio e violão.
Na Orquestra da Federação. Percussão. Voz.
No Coro de Jazz ULM. Mantras.
Coral da USP. Academia.
Maestro Lourenção. Tigresa afinada.
Faculdade Marcelo Tupinambá. Alê Ferreira, cantina, roda.
Jotagê. Amor.
Doçura, gravidez. Felipe.
Jotagê, choro e gafieira. Cantora.
Ágata. Voz!!
Mumbaba. CD!
Chorinho. Ademilde Fonseca. Compositora.
Parque da Mônica. Percussão. Criançada. Muita alegria.
Conservatório de Tatuí. Percussão, partitura, casa, amor.
Núcleo de Música, Centro de Música. SESC. Conquista.
USP. Música na escola pública. Mestrado.








Em todos os momentos. Nos tristes, me lembra da alegria. Nos alegres, se faz uma coisa só.



Sem ela, eu nada seria.