Como conhecer uma pessoa, há pouco, pouco tempo e simplesmente amá-la de um amor infinito.
Uma pessoa linda.
Generosa.
Sorridente.
Feliz.
Aconchegante.
Uma voz doce, de menina. Uma menina de coração numa alma grande de mulher.
Uma alegria tamanha que não cabe nas hipocrisias sociais. Uma alegria subversiva. Essa dama atravessa minha vida e invade meus domínios. Todas as palavras para mim são de afeto. Come minha berinjela. Conheço seu varenik. Há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia... Ganhei irmã cósmica. Sobrinhos planetários. Uma família universo. Uma amiga coloridamente alegre. Hoje nos mostra de forma inquestionável sua festa no céu: um lindo arco-iris, forte, intenso, inacreditavelmente subversivo num farol da cidade cinza.
Muitos mistérios...mas você, minha querida Sônia, que amo de montão, brilha.
Sem mistério algum.
Brilha e nos embala.Nos carrega na dança colorida de sua vida eterna.
Onde quer que seja.
Sempre viva.
Para as coisas inexplicáveis, às favas com as explicações. Pois elas existem. E fazem a vida valer a vida.
Se você tem
namorado, marido, ficante, você está na mira: você anda vai ter sua piriguete,
ou mais de uma delas, na sua cola.
Essas moças,
de autoestima inexistente, vivem de destruir o que não tem. Não é fácil manter
um relacionamento. Envolve afeto e, acima de tudo inteligência. Outro quesito
que, na vida delas, se resume à marquinha do biquíni: que fique aparente no shortinho.
Corre à boca
pequena que as mulheres competem com as mulheres. Isso definitivamente não é verdade.
As mulheres são extremamente solidárias, amigas. Há um código de ética de afeto
que rondas as relações femininas. As piriguete são os vampiros de saias. Sugam,
destroem e não sabem se relacionar. Por isso não as aceitamos.
Por isso elas
não se aceitam como tal.
Entretanto, a
maior destruição que causam não é, exatamente, bagunçar o seu relacionamento,
cultivado com carinho, dedicação, como uma flor delicada.
A carruagem
vira abóbora quando se percebe que aquele príncipe que estava ao seu lado, caiu
do cavalo. A piriguete mostra que ele , assim como ela, tem autoestima ínfima.
Ele, sim ele, precisa ser alimentado com migalhas falsas e... mentirosas...se
sente valorizado se aquela bundinha durinha bronzeada olha pra ele. Ele, justo
ele, se contenta com migalhas. Ele, que era tão especial, que vinha naquele
cavalo branco e transformava sua vida num conto de fadas, diário.
Na verdade, se
você tem uma piriguete na sua cola, eu digo: que abriu o espaço foi ele. Se a energia dele estivesse focada no relacionamento com você, se ele gostasse dele
o suficiente para só admitir garotas de alto nível (como você, como eu) ao lado
dele, se ele fosse um príncipe mesmo, poderíamos contratar uma consultoria
especializada e não seria achada, nenhuma conversinha mole no MSN, nenhuma
cutucada “ingênua” no facebook nenhuma ligação desconhecida no celular.
Entretanto, nada
na vida é imutável.
Enquanto isso,
amiga, eu sei: a dor da desilusão de vê-lo com mais um homem comum vai estraçalhar
o peito. Mas para toda regra existe uma exceção: existe sim homem com
autoestima suficiente pra ser um espanta-piriguete. O andarilho pode, sim, esforçar-se e retornar ao seu posto de príncipe alado em seu cavalo branco. Depende dele. Da energia dele. Da autoestima dele. Ele pode sair da lama, se quiser.
Vocês ainda se encontrarão.
Ele vai
entregar o coração sem reservas...Por que ele se ama intensamente. Pode amar
alguém, e não viver migalhando...
"Amor tem prazo de validade. Pra uns é dois meses, pra outros dois anos, vinte. Mas uma hora acaba."
Eu não acredito nisso. Que uma hora, de forma determinista, acabe.
Acaba, ao meu ver, por motivos como: a arrogância que supera o entendimento o egoísmo que fala mais que a compreensão a surdez que se alterna com o silêncio ferino a desconfiança de um que se alimenta das mentiras do outro a incapacidade de manter-se indivíduo e ao mesmo tempo entregar-se.
Acaba pelo apego às falhas, por não querer enxergar-se, e crescer.
Eu acredito no amor com prazo de validade indeterminado. Eu acredito no amor que se constrói no dia-a-dia, com carinho, atenção, respeito, honestidade, compreensão, tolerância, limites.
Com verdade.
E me sinto um peixe fora dágua. Mas eu não nado: vôo.
Então não me importo. Sonho esse amor, aqui nas estrelas.
O Everson, professor de dança, juntamente com a linda Luisa - fiz com eles Tango, Gafieira e, agora, o curso de Condução Masculina, sempre repete uma frase:
"O homem precisa - precisa - saber em que pé a dama está".
Num momento da aula , hoje, ele pegou uma senhorinha pra fazer o "peão", com ele. Peão, como o nome sugere, é um movimento de giro. Precisa equilíbrio, coordenação e entrosamento, dos dançantes.
Ela ficou apreensiva em dançar com o professor. (Quem não fica?).
Ele percebeu e disse: "Ela já está nervosa, antes de qualquer coisa. Estou aqui, acalmando-a, percebendo-a e deixando-a tranquila". Fazia, enquanto isso, o passo básico, com ela. De repente, os dois faziam o "peão", lindamente.
Ela sorria. Transbordava felicidade.
Os cavalheiros precisam saber que nós, damas, estamos inteiras na mão deles. Nosso corpo, nossa alma, nossa emoção. Estamos nos deixando conduzir. Isso não é fácil e nem simples.
Os cavalheiros precisam saber em que pé as damas estão, para nos levarem, com delicadeza, sem trancos, aos deliciosos passos caminhados juntos na dança. Se estamos apoiadas no esquerdo, levem-os para a direita, senão tropeçaremos na nossa entrega.
Mas, muito mais que saber que pé nosso está no chão, o cavalheiro precisa saber "em que pé estamos": se calmas, ansiosas, nervosas, tensas e acolher. Acalmar.
Antes de qualquer passo, o encontro. O braço firme nas costas e a sensação de que estamos protegidas. De que nada nos fará mal. Nem um salto deseducado atingirá nossa canela, nem um passo afoito do nosso parceiro e, principalemnte, nenhum desafeto emocional.
Num dos bailes de forró que quase sempre vou aos domingos, dancei onze músicas com um rapaz que não sei o nome. Eu e minhas amigas o apelidamos de "Trancinha", por causa do cabeço.
Foram onze músicas de corpo colado. Um sentindo o outro. Não fizemos giro. Nem passo, Nem nada.
Ele e acolheu e dançamos. O tempo do mundo parou e só existia o tempo da música.
Dentro dela havia ingredientes antigos, como companheirismo, parceria, entrosamento, alegria. Mas na realidade estavam vencidos. Podres já no início.
Eram ingredientes da minha sacola, do que eu quero construir. Não existiam na realidade, fora dela.
Quando ela foi doada para outra pessoa, eu vi o desrespeito de forma contundente. E percebi que não podiam mesmo aqueles ingredientes que eu acreditava: quem é amigo, respeita.
Essa sacola me ensinou muito: eu nunca tinha tido um falso amigo, uma pessoa que me enganasse de verdade. Meu instinto, no entanto, dizia que algo não era saudável, mas eu não ouvi.
A sacola anti-térmica voltou. Mais cheia de minha perplexidade com a capacidade de fingimento humano. Um pouco mais vazia, da minha ingenuidade.