quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Parceiro de dança

Nos primeiros acordes da música,
já se percebe o parceiro de dança.


Tem aquele que quer se autoafirmar. Conduz como se fosse um general.

Aquele que quer se aparecer e ... faz tudo sozinho. 

Ou chato: faz os mesmos passos com quem quer que dance.

O previsível: a gente vai adivinhando os passos, a coisa fica tediosa e a música não acaba.

O bêbado, bafo-de-onça: nada acontece. 
Só um mau-hálito dos infernos e uma conversinha babenta.

O galã quer seduzir: mãozinhas percorrendo todo o corpo, lânguidas.

O perfumoso vem pra beijar, acariciar.

O amigão, vem pra conversar, acalentar.

O excitado - ohmygod- o excitado, ninguém merece.

Ou que fica excitado e transparece e já era mesmo.

E tantos outros:
o palhaço, o maluco, o professor, o chato...


Mas tem um que é insubistituível:
aquele parceiro de dança que vem
pra 
dançar.


Aí sim.
Só isso e o mundo fica brilhante.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Simpatia para arrumar namorado

Outro dia, de Santo Antônio, chega para mim:

"Simpatia para arrumar namorado
Esta simpatia foi encontrada nas escavações da Roma Antiga. É datada de 330 anos antes de Cristo. Alguns dizem que foi a primeira simpatia para arrumar namorado já criada. Será que funciona mesmo?
Os romanos eram bidimensionais, o que significa que sua aura era dividida em dois tipos de sentimentos. Os positivos e os negativos. Segundo estudos, tais sentimentos positivos nunca poderiam ser controlados por fatores externos ao ser humano, por serem de natureza inata.
Já os sentimentos negativos, foram invenção do ser humano quando este traiu os deuses ao comer a fruta proibida. Para sobreviver a fúria de Saturno, os homens teriam forjado sentimentos. Dessa forma, aqueles traidores poderiam se esconder.
As simpatias usam este “sentimento negativo” para qualificar qualquer pesssoa a realizar suas vonatdes.
A simpatia é a seguinte:
1 – Escreva em um papel todos os desejos que pretende realizar quando encontrar a pessoa certa para amar.
2 – Coloque este papel em um lugar público. Quanto mais pessoas lerem, mais fácil será arrumar um namorado."


Então lá vão os desejos que pretendo realizar quando encontrar a pessoa certa para amar, publicamente:

- Eu desejo beijá-lo todos os dias. Num dia, beijo doce, no outro, apimentado. Ou os dois no mesmo dia.
- Abraçá-lo até que meu corpo derreta no calor dos seus braços.
- Observar o pôr-do-sol ao seu lado, pelos seus olhos perceber a chegada das estrelas.
- Ouvi-lo. Desejo que o tempo escorra para que eu possa ouvir suas histórias e aventuras.


Espero que meus desejos tenham a atração suficiente para trazer até mim um homem: meu namorado.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Dançar é um sonho. Real.


Dançando tudo se situa

Dama e cavalheiro
Coisa sensual
Sexy
Apaixonante

A condução dele
A graça dela.

Não precisa ser
Baryshnikov
Basta ser
Dama e cavalheiro

Um par assim
Pra dançar assim
Que me faça leve
Feminina
Doce

Fora da dança
Mulher batendo pinto na mesa
Suprimindo menstruação
Homens brochando medrosos
Sem destino

Eu fico perdida
Não sei ser mulher meio-homem
Quando encontro homem meia-boca

Eu quero dançar.
Ali sou dama.
Mulher de um cavalheiro.
Por eternos três minutos.



Meu carinho aos queridos parceiros de dança.
Que  dançam comigo.
E me fazem sonhar.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Vida longa ao Ricardão

Acho que não vou ter muitos adeptos nesse raciocínio.
Mas, como diria a filósofa grega Kelly Key, to nem aí.
Este texto só atingirá aos mais inteligentes.

Já entrei numa curva do rio em que possuo a carterinha pra dizer o que penso, exatamento do jeito que penso.

O que nem sempre faço.

Quase nunca.


Ouvi contar na família a estória que o pai pegou a  mãe com outro.
Na cama. Fazendo.
E em defesa de sua honra, imediatamente se separou.
E todos apoiaram. Família é povo falso mesmo.

A ação da separação parte de uma premissa falsa.
...Pareço um advogado falando. Ou um dos meus professores de  Filosofia, lá da USP. Quem mandou fazer Filosofia?

A premissa é a de que a honra dele depende de alguma ação dela.
          Pô, se ela deu, o problema é dela.
         Depois a gente inventa um edifício teórico e conserta a bagaça.
         E se a transa foi boa, que importa a honra. Né?

( Meu dicionário automático quer corrigir a palavra transa por relação amorosa... Ah... faça-me o favor!)



A atitude de separação parte de um erro ainda maior, que o de um pressuposto falso: parte da crença de que o traidor é devasso, sem caráter, que joga tudo fora por uma noite de prazer.
 Ah! Eu também jogaria, mas um bom filósofo jamais transparece sua opinião.          Exatamente como eu faço.




A culpa da traição é do traído, que não deu assistência suficiente.





Assim, se você é corno, sorria!



Pode não estar sendo filmado.
Mas é sua grande chance de mudar comportamento e
quem sabe
com esforço
dedicação
paciência
tornar-se um grande (médio, vai...)  amante.

Duvido.
Mas não custa tentar.
De corno não passa.

                                                     
E agradeça ao Ricardão essa chance de subir na vida.




domingo, 14 de agosto de 2011

Vampiro do vale

Era uma vez uma família.

Um dia, há quase quarenta anos, encostou um vampiro.

E desde lá 
suga
suga
suga
inferniza
maltrata
bate
rasga
leva 
rouba

E não morre.

Vampiro não morre mesmo?

Não: por que não pode morrer um cadáver.

Enquanto esse vampiro

suga
suga
suga
inferniza
maltrata
bate
rasga
leva 
rouba

Nós vamos vivendo
dançando
felizes
alegres
Coloridas.




sexta-feira, 24 de junho de 2011

Os sentidos do corpo social

Nos sentidos do corpo
possibilidades de sentidos da vida social


E se os cinco sentidos do corpo estruturassem a sociedade civil?


Do tato
uma sociedade imediatista
que sente ou não sente
aquela "coisa de pele" que não se controla
mas que pode ter "tato", jeito para lidar com o outro.
E, quem sabe, dando sua mão à palmatória quando errar.


Do paladar
uma sociedade estreitamente organizada
doce é doce; salgado, salgado;
rico é rico; pobre, pobre.
Relações intensas, de satisfação breve
por isso comendo com olhos, no exagero.


Do olfato
uma sociedade etérea
de reminiscências e imaginações
Relações mais longas
com lembranças e novas possibilidades.
E delicada, descobrindo o melhor nos menores frascos.


Da visão
uma sociedade enganada
que "vê" o sol se pondo
e o avião pequeno no céu
Pensando rápido como enxerga: sem reflexão
Relações humanas fundadas no "parecer"
Como se uma imagem valesse por mil palavras.


Da audição
uma sociedade que ouve
e pode ouvir o outro, com o ouvido externo
e a si próprio, com o interno.
Relações calmas, profundas
reflexivas.
Atentas à harmonia geral.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Dèjá vu

Eu sinto 
certo cansaço
do passado

que me pesa


E um certo 
dèjá vu
no futuro

cansado do passado

que replica.