Filha querida,
eu te amei mais do que pode
alguém na Terra amar.
Eras para mim a esperança,
o futuro, eras tudo.
Mas também eras rebelde,
ainda que para ti eu fosse, igualmente,
a esperança e o futuro.
A vida colocou pedras em nossa estrada
e, ingênuos, nelas tropeçamos.
Viraste à esquerda, eu à direita,
outros continuaram em direção ao centro.
Porém,
a linha reta leva ao lugar comum
e só as derivantes
conduzem a espaços inexplorados.
No círculo normal da esquerda
para a direita
e da direita
para a esquerda,
tenho certeza de que um dia
riremos, no além,
das travessuras que fizeste
e dos tapas que te dei.
Sim,
porque lá, dizem,
fazemos o que queremos
e queremos o que fazemos.
Teu sorriso
será eterno e imutável no Cosmos,
Minha paciência,
e meu amor, tenhas certeza,
será maior do que o infinito e, juntos,
choraremos pelos que não nos entenderam !
Perdoa-me por ora,
querida,
abraça-me depois.
E quando daqui partires
para beijar-me no céu,
não esqueças
de levar a espada
que te dei,
com muito critério:
é o símbolo do ataque
— morte —
e da defesa
— vida —
dos nossos choros
e dos nossos risos.
31.08.80
domingo, 5 de julho de 2009
Estrelas
Minha lágrima
pingou,
cristalizou,
virou estrelinha.
Escorreu,
bateu no dedão,
não a quiseram:
foi para o céu.
Brilha lá,
pequenina...
E eu cá,
quando a dor aperta,
pingo outras estrelinhas,
e mais outras ainda...
Um dia terei uma constelação
e ninguém vai entender porque!
Magali (set/1981)
pingou,
cristalizou,
virou estrelinha.
Escorreu,
bateu no dedão,
não a quiseram:
foi para o céu.
Brilha lá,
pequenina...
E eu cá,
quando a dor aperta,
pingo outras estrelinhas,
e mais outras ainda...
Um dia terei uma constelação
e ninguém vai entender porque!
Magali (set/1981)
GAIOLA ARBITRAL
Hoje, dás os primeiros passos
relativamente autônomos.
É o mundo das obrigações reais
que se abre aos olhos do jovem,
diferente do mundo até agora
meramente de direito,
ou predominantemente de direitos.
É o início da caminhada
rumo ao controvertido,
ao incompreendido,
ao repulsivo
e até mesmo inconseqüente
mundo dos dirigente.
É o universo obrigacional
terrivelmente disforme, cruento,
porque esteriotipado no
complexo comportamento do humano.
É a primeira e mais importante
etapa de desvinculação
do poder tirânico,
mas também o rimeiro sentir
da transmudação da autoridade.
Muito foram os embates;
muitas foram as derrotas;
muitas as conseqüências e
muitos os choques opinativos,
porém, necessários.
Necessários
para não se transforma em surpresa
o óbvio da adversidade
perene e indestrutível
da incompreensão terrestre.
Várias das disputas perdi, e me senti feliz;
outras, venci
e me senti derrotado.
Também quase perdi
(ou perdi totalmente)
a liberdade de libertar...
E na estreita esfera
da minha gaiola arbitral
não sei se não matei
o pássaro irreverente
que se atrevia a tentar passar pelos arames,
feitos grades enjaulatórias,
do estreito universo liberal do homem.
Contudo,
da refrega seguramente ficou,
incrustada no livro da consciência,
a verdade que um dia a História Cósmica
provará:
Houve um pai, com amor,
e houve uma filha, adorada.
Parabéns (21.11.80).
relativamente autônomos.
É o mundo das obrigações reais
que se abre aos olhos do jovem,
diferente do mundo até agora
meramente de direito,
ou predominantemente de direitos.
É o início da caminhada
rumo ao controvertido,
ao incompreendido,
ao repulsivo
e até mesmo inconseqüente
mundo dos dirigente.
É o universo obrigacional
terrivelmente disforme, cruento,
porque esteriotipado no
complexo comportamento do humano.
É a primeira e mais importante
etapa de desvinculação
do poder tirânico,
mas também o rimeiro sentir
da transmudação da autoridade.
Muito foram os embates;
muitas foram as derrotas;
muitas as conseqüências e
muitos os choques opinativos,
porém, necessários.
Necessários
para não se transforma em surpresa
o óbvio da adversidade
perene e indestrutível
da incompreensão terrestre.
Várias das disputas perdi, e me senti feliz;
outras, venci
e me senti derrotado.
Também quase perdi
(ou perdi totalmente)
a liberdade de libertar...
E na estreita esfera
da minha gaiola arbitral
não sei se não matei
o pássaro irreverente
que se atrevia a tentar passar pelos arames,
feitos grades enjaulatórias,
do estreito universo liberal do homem.
Contudo,
da refrega seguramente ficou,
incrustada no livro da consciência,
a verdade que um dia a História Cósmica
provará:
Houve um pai, com amor,
e houve uma filha, adorada.
Parabéns (21.11.80).
AO MEU PAI
Que pena ter só um pai.
Já pensou que maravilha
um montão de “coroas” (?)
Me chamando de filha?
Mas todos, sem exceção,
Teriam que ter exatamente
Esse seu jeitão
De quem não bate
Pra não machucar;
De quem esquece, mas
Às vezes chega a gritar;
Certeza de tudo que faz
E no coração um realmente.
Terão que ter o pé não muito cheiroso
E o nariz um tanto volumoso
E que estejam sempre lendo.
Que sejam loucos por cocada
E sempre estejam ensinando.
Terão de gostar de um sambinha
Sem muito desprezar a discoteca,
Gostarem de cerveja geladinha
E soltar algumas piadinhas.
Não! É simplesmente impossível
Existirem pessoas ou alguém simplesmente
Que seja como acabei de falar.
Porque só você é assim
Porque só você é realmente
Quem eu posso com muito orgulho
Chamar de “Meu Pai”.
(21.05.1.979)
Já pensou que maravilha
um montão de “coroas” (?)
Me chamando de filha?
Mas todos, sem exceção,
Teriam que ter exatamente
Esse seu jeitão
De quem não bate
Pra não machucar;
De quem esquece, mas
Às vezes chega a gritar;
Certeza de tudo que faz
E no coração um realmente.
Terão que ter o pé não muito cheiroso
E o nariz um tanto volumoso
E que estejam sempre lendo.
Que sejam loucos por cocada
E sempre estejam ensinando.
Terão de gostar de um sambinha
Sem muito desprezar a discoteca,
Gostarem de cerveja geladinha
E soltar algumas piadinhas.
Não! É simplesmente impossível
Existirem pessoas ou alguém simplesmente
Que seja como acabei de falar.
Porque só você é assim
Porque só você é realmente
Quem eu posso com muito orgulho
Chamar de “Meu Pai”.
(21.05.1.979)
Liberdade
Espaço de liberdade.
Quem fala o que quer,
não tem rabo preso.
E repete.
Como diz Gaiarsa: todos controlam todos para que ninguém faça/diga aquilo que todos têm vontade de dizer/fazer.
Olhe a paisagem.
Respire.
Seus brônquios inflamados refletem os sapos mentirosos instalados na corrente sanguínea.
Quem fala o que quer,
não tem rabo preso.
E repete.
Como diz Gaiarsa: todos controlam todos para que ninguém faça/diga aquilo que todos têm vontade de dizer/fazer.
Olhe a paisagem.
Respire.
Seus brônquios inflamados refletem os sapos mentirosos instalados na corrente sanguínea.
Vomitando sapos
Dor de garganta.
Febre.
Mal-estar?
Gripe suína?
Não: falta de vomitar sapos entalados na goela.
Febre.
Mal-estar?
Gripe suína?
Não: falta de vomitar sapos entalados na goela.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Doce de estrela: sonho
Não sei se conheço pessoas doces. Algumas agri-doces.
Talvez uma.
Como seu olhar.
Às vezes escondida numa proteção de dureza, de um enrijecimento aparente. Palavras que contradizem o olhar.
Eu sonho a Ioná com uma mochila nas costas, voando seus sonhos. Livre como uma pipa colorida dançando no céu azulado. Mais: livre como uma própria estrela, multileve, multisorriso, multicriativa.
Seu abraço e seu coração no meu peito: doce sonho. De valsa.
Eu sonho a Ioná. Um sonho: aquele doce muito fofo, preparado com farinha de trigo cozida, leite e ovos, frito em gordura quente, e passado em açúcar e canela, ou servido com calda rala, podendo também ser recheado.
Talvez uma.
Ioná.
Um nome curto. Singelo. Meigo.Como seu olhar.
Às vezes escondida numa proteção de dureza, de um enrijecimento aparente. Palavras que contradizem o olhar.
Eu sonho a Ioná com uma mochila nas costas, voando seus sonhos. Livre como uma pipa colorida dançando no céu azulado. Mais: livre como uma própria estrela, multileve, multisorriso, multicriativa.
Ioná é uma estrela que alegra o coração da gente.
Seria uma indiazinha perdida na nossa selva dura?
Seu abraço e seu coração no meu peito: doce sonho. De valsa.
Eu sonho a Ioná. Um sonho: aquele doce muito fofo, preparado com farinha de trigo cozida, leite e ovos, frito em gordura quente, e passado em açúcar e canela, ou servido com calda rala, podendo também ser recheado.
A Ioná é assim: com canela, recheio, brilho, no céu ou no mar: muito fofa.
Doce.
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