terça-feira, 17 de julho de 2012

Santo remédio


Existe alguma coisa de atemporal no tempo.

O relógio digital eliminou os segundos:
o espaço onde a vida acontece.

Tudo agora mesmo pode estar por  um segundo.





E é ali, nos segundos, que a vida pede um pouco mais de calma.




Passa tão depressamente devagar o dia chato.
E o momento de prazer, expressamente.

Como é lindo um homem maduro, grisalho. Seguro.
Como é lindo o menino desabrochando em barba e tesão. Impulsivo.




Tenho medo do tempo, que ele leve embora beleza, consciência, agilidade.

Eu levo na flauta. O tempo musical é intemporal. Não acontece nem nos segundos, nem nas horas, nem nos anos. Acontece. Pulsa. Ali eu moro.
No andamento que a música me traz, eu ganho paz, maturidade, paciência.
Num espaço de silêncio, que escapa e invade.

O tempo cura.
Nada mais eu preciso.

sábado, 14 de julho de 2012

Poucas palavras




Enfezado.
Aquele cara bravo tem intestino ruim.

Desastrado.
Aquele que não olha os astros e faz as coisas sem atenção.

Entusiasmado.
Aquele que traz Deus (in theos) nas suas ações.


sexta-feira, 29 de junho de 2012

She´s back!

O simples:


Obrigar, legalmente, os supermercados a fornecerem sacolinhas ecologicamente corretas.






O complicado:

Fazer leis na base do teste empírico.




Como solidificar cidadania 
na base da Lei de Gérson, 
ou da Lei que não Pega?

Resistência Chique

Todos meus amigos são chiques.

Três deles, 

Daniela Savastano 
Gustavo Gonçalves 
Nira Priore 

e meu  namorado
Hamilton Penna



são trop chic:

Ils n'ont pas facebook.

Pas encore.


Chiques para sempre.
Resistentes, até quando?





Homenagem prévia, para que não seja póstuma.
Um dia, todos sucumbirão ao facebook.
É meu temor.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Rousseau 300


Pô, Jean-Jacques...

Não precisa mandar tanta mensagem no meu celular. Nem quero ver como está meu tuíter. Calma... Eu não esqueci que hoje é seu aniversário.

Tantas pessoas devem estar te parabenizando ou rezando para que morra. Sim, por que você, apesar de morto, inferniza a vida de muita gente. Das feministas alucinadas. Dos alucinados que te veem como fascista. Dos teus colegas pensadores que não sabem muito bem aonde colocar o desejo. E teu filho, que não recebeu um afago seu sequer e ainda teve que conviver com aquele seu Emílio. Foi sacanagem da sua parte, isso, mas deixa pra lá... hoje é dia de festa. Não vamos discutir a relação entre você e seu filho.

Do meu lado, te admiro. Chegar tão vivo e lúcido aos 300 anos não é para qualquer um. Apesar das suas rabugices, o que te salva é tostar os preconceitos e assumir-se como um paradoxo. Isso me acalma. Lembro, quando me vejo confusa, querendo bijuterias douradas e prateadas, não sabendo escolher, lembro de você. Finalmente posso expor-me totalmente paradoxal, como sou.

De novo esse assunto, do Voltaire? Não fica com ciúme... isso na sua idade fica bizarro. Você sabe que curto o Voltaire, me dou bem com ele. O cara é democrático à beça. “Posso não concordar com o que dizes, mas defenderei  até a morte o se direito de dizê-lo”. Jean, eu sou gêmea dele nisso. Compro a briga da palavra dita, escancarada, mesmo que divergente da minha. Ou melhor: mais ainda se for dissenso. Você nunca ouviu  falar que as mulheres conseguem amar pelo menos três homens ao mesmo tempo? Um é para a alma; o outro, para o corpo; e o terceiro para corpo e alma.

Ah! Não... Não vou mesmo dizer agora quem é do corpo, quem é da alma, quem é do corpo e alma...

Quero mesmo te dar parabéns pela coragem do Discurso sobre as Ciências e as Artes, que nos coloca a crítica sobre as “benfeitorias” da arte, pela clareza do Discurso sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens, que nos arrebata com seu “discurso do rico” e, também, pelo Contrato Social, que nos coloca sempre na posição ativa do consentimento. Entre tantas outras belezas.

Você, Rousseau, é o cara.
Parabéns, meu amigo.

Nem preciso desejar muitos anos de vida, por que você não morre. 
Ao contrário, sempre iluminado, meu iluminista preferido.



Mas é o seguinte: 
se quiser mesmo comemorar hoje à noite na gafieira, 
dá uma atualizada nesse visual. 
Pelo menos no cabelo.
Tá de doer...

"Rousseau a nourri toutes les révolutions"


quarta-feira, 27 de junho de 2012

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Jogo limpo


Eu sou palmeirense.
Mas não sou anti-corinthians.
Menos ainda anti-corintianos.
Eu fico contente que o Corinthians tenha conseguido ir além do  já conquistado.
Esporte é isso: superação.
Equipe.
Desafio.
Vontade de vencer.

Sou, sim, anti-violência.
Seja de que forma for.
O que ganhamos, como cidadãos, com a piada, sem graça: 
“90 minutos sem roubo em SP”,
 fazendo alusão ao fato de os corintianos estarem lá, todos, assistindo ao jogo?
Isso é violência.

Política, religião e futebol não se discute?
Discute-se sim.
Já é hora de  discordar com elegância e a aceitar, verdadeiramente, a dissensão.

Seu time perdeu?
Sofra. Chore. Grite. Mande tudo à merda. É seu direito.
Afinal, o Santos parece ser o segundo time de muita gente. O Santos é o time do Pelé. Quem  gosta do Pelé, gosta, de algum jeito, do Santos.

O Neymar vai torcer para o Corinthians. Pelo menos foi o que ele disse.
E disse bem. Deu um chutezinho em favor da educação.


Faço minhas as palavras de Voltaire, “posso não concordar com o que dizes, mas defenderei até a morte o direito de dizê-lo.” Ou de torcer para o time que quiser, seguir a religião que bem entender, votar conscientemente no político que escolher. Sem que isso seja motivo de violência, para mim ou para você.