quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Falência

Aqui,

o último que sair nem precisa apagar a luz.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Saudade de Leila

Tenho saudade de Leila Diniz.

Tenho saudade
de sua barriga
grávida no mar
de sua alegria

Tenho saudade de encontrá-la em outras mulheres.

Saudade de ser como ela.

Curta, garoto!










Saia curta não é sem-vergonhice.
Saia curta é liberdade.
É
atitude.É Beatles, Bob Dylan, Doces Bárbaros.




Que juventude é essa?
Todos correm para buscar sutiãs que estavam na fogueira?
Desenterram cintos de castidadae?
Apredejam coxas de fora?

Bem, minha vó diria: "mulher que sai assim na rua, é uma vagabunda mesmo".
Minha avó!

(Quem contratará como profissonais pessoas tão reacionárias, preconceituosas?)

Quantas celebridades são flagradas sem calcinha saindo do carro e a Geisa não pode ir com uma míni ou microssaia na facu?

Que estarão lendo esses jovens universitários?
Sartre não deve ser.
Simone de Beauvoir? Duvido.
Saberiam Marx?
Relatório Hite?
O que estarão lendo esses jovens???

No meu tempo, os garotos adoravam quando íamos de mínissaia a qualquer lugar.

Deve ser por essa e outras que o mundo está meio chato, careta, com muita droga.

Viva a mínissaia!
Muito muito curta!
Garoto: curta!!!


Aproveite e leia: Tesão e Direitos Humanos, de Renato Janine

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Amor, sexo e propriedade privada

Num devaneio, associo a crônica "Amor e Sexo", do Arnaldo Jabor, a belezura da música da Rita Lee e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Onde vejo o ponto comum?

Na possibilidade da legitimação da propriedade privada.

Como podemos justificar, na
Declaração Universal dos Direitos Humanos, a propriedade privada (Art. XVII)? Se fossem direitos civis, ainda vá lá. Ainda sim teríamos pano pra manga: como é o processo de apropriação? É meu por que assim o digo, ou digo assim por que é meu? Então, como se fosse natural, por que se é humano, pode ser natural, transmite-se bens de pais para filhos, em longos inventários. Proprietários, uma vez, sempre proprietários. Essa sim a verdadeira herança de sangue. Como coloca Rousseau, a sociedade civil nasce, dentre outros concursos fortuitos, no momento em que um de nós determina: Isto é meu. Insensivelmente meu. Se você não tem um pedaço de alguma coisa pra chamar de seu, ou a culpa é sua, ou o problema não é meu.

Daí para a crônica do Jabor, é um pulinho. A propriedade privada, já legitimada pela Declaração e pela civilização, passa a valer para nossos corpos. Quando digo “nossos corpos”, recorto os nossos mesmo: o corpo das mulheres. Corpos cheios de donos. Obsessivamente controlados em seus pesos e medidas, seus passos, seus padrões e castidades. Inventa-se a cama de casal. Espera-se juntar, enfim, amor e sexo. E propriedade. Propriedade agora que pretende invadir nossa imaginação. (Que mais faz a Igreja senão lutar desesperadamente para controlar o voo livre da nossa irreverente imaginação?)

Aparece então a
Rita Lee, maluca beleza, e escancara nessa música nosso estica-e-puxa entre amor, sexo e propriedade. Joga na cara. Pelos ouvidos.

E a música, a crônica, a reflexão, o amor, o sexo, são todos muito bons.
Excitantes.
Já pensou então sem a propriedade privada?
Com a imaginação solta pela relva?
Ouve!
E imagina.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Fracos heróis

Triste do país que precisa de heróis.
A frase, que não é minha, mas de Bertold Brecht, escancara-nos.

Nós,
povo brasileiro,
ainda precisamos de bolsa-família
bolsa-leite,
programas de aceleração,
de bússola, de alguém, enfim, que seja nosso norte.
Nosso herói.
Precisamos de heróis.

Precisamos de olimpíadas, copa do mundo.
Ainda temos que provar a nós mesmos que o mundo repara em nós.
Ganhamos a Olimpíada.
Ganhamos a Copa do Mundo.
Ganhamos o quê?
Nossos atletas suam mais que podem a camisa.
E choram, no pódio, ao ver a Bandeira do Brasil.
Precisamos de heróis. Olímpicos.


Nosso dinheiro escorre por nossa corrupção.
Não há estrutura capaz de segurar um
apenas um mau-caráter
que sendo segurança rouba uma prova.
Nosso caráter é de herói fraco.

Herói que se vende por 500 mil.
Bolsa pra família.

O Nobel da Paz, realmente nobre.
Valorizou o ganho do espaço da Olimpíada
"Façam, cresçam".

Mas nós estamos ainda parados no vestibular.
Nem conseguimos aplicar nosso Enem.
Que venham as competições.
Para que um dia não precisemos mais de heróis.
Tenhamos, enfim, cidadãos.

Parabéns ao Nobel da Paz.

Homem.
Anti-herói.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A pior religião

Perguntei ao Dalai Lama:
Qual a melhor religião?

Eis a resposta:

A melhor religião
É a que te aproxima de Deus, do Infinito.
É aquela que te faz melhor: mais compassivo, mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável, mais ético.

Acrescento:
Não me interessa a tua religião, ou mesmo se tens ou não religião. O que realmente importa é atua conduta perante teu semelhante, tua família, teu trabalho, tua comunidade, com o mundo".
Leonardo Boff





Eu digo:
A pior religião é aquela que contra a própria etimologia da palavra não une, não religa: separa. Secciona o céu, tomam para si o trabalho de Deus e determinam quais os escolhidos fazendo um apartheid entre irmãos. Gente que não comparece a casamentos de família por que “aquela igreja tem imagens”, separa. Ou que estigmatizam as mães de santo como “mães de encosto”, desune.
Isso é coisa do demônio, palavra que escorrega da boca dos “religiosos” em número maior de vezes do que pisam os olhos. São, com essas palavras e ações, arautos dele. Ou quem sabe da religião dele.

A melhor religião, une.
Nem precisa existir: basta religar homem a si, ao Espírito, ao seu próximo.

Sem frescurada.

Ouvir estrelas


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto ...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

Olavo Bilac


Ouço-as.
E sei
assim
que amo.